Long time no see. No fim acabei vindo para cá só agora, e não em outubro como havia previsto. Percalços do monstrado. Bom, vamos ao que interessa.
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Parte I – Despedida-surpresa no Mulligan’s
Era quarta-feira (ou quinta? Não sei bem o dia da semana), e a Millu (ou Pri) me convidou para sair e conversar, afinal eu tinha coisas para retornar a ela e ela queria me ver antes de dar tchau no aeroporto. Era domingo e eu estava bem faceira na casa do Renato quando ela vem falar comigo pelo gTalk e pergunta se está tudo ok para o nosso encontro. E eu penso “Que encontro? Ai, caramba, esqueci.”. Na hora eu nem estava com muita vontade de ir. Tinha alguns trechos da dissertação que ainda estavam pendentes, mas era a última vez que eu ia poder conversar direito com ela, então decidi ir. Antes disso, eu e o Renato fomos à casa do chefe dele, e acabamos nos demorando por lá. Eram quase 21h quando chegamos no Mulligan’s. E eis que eu encontro aquele povo todo gritando “Surpresa!!!”. Foi comovente. Me segurei pra não desabar na hora, mas obviamente, quando vi a Lu chorando, eu comecei a chorar também. Foi um gesto muito carinhoso, muito querido de todos. Obrigada a todos que foram. Pri, eu quero as fotos em formato digital.
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Parte II – Despedida no Aeroporto
Era sexta-feira, chegada a hora de partir. Procurei durante o tempo todo que arrumava as malas e ia me desfazendo aos poucos, não pensar muito em como seria estar sozinha num lugar estranho, com pessoas que não falam a minha língua. Toda vez que batia um nervoso, eu pensava “Deixa para pensar nisso quando tu já estiveres por lá. Aí não dá mais pra correr”. Cortar o cordão umbilical foi soda. Dar tchau para o meu irmão e meus sobrinhos no dia anterior me deixaram bem abalada. Quando dei um abraço no Leo, meu sobrinho, a ficha caiu: é amanhã.
E lá estava eu, tentando lembrar as últimas coisas que precisava colocar na mala – e eu invariavelmente esqueci algumas coisas. O pai não pôde me levar no aeroporto, pois é época de pagamento de 13º e ele tinha que estar na fábrica. Me despedir do pai foi difícil. Primeiro cordão umbilical cortado.
Eram 11h, o Renato chegou para me levar ao aeroporto. Era hora de ir. Fechar as malas, conferir tudo: documentos, dinheiro, passaporte. Vi a porta de casa se fechar e bateu um frio na barriga. Cortar o cordão umbilical era mais difícil do que eu imaginava.
Chegando no aeroporto, vi rostos amigos, estavam todos lá. Eu não tinha fome, mas fomos todos almoçar. Minha mãe estava firme, nem parecia ela, tão emotiva. Ela só dizia: “Não chora, não chora porque não é para estar triste. Tu vais estar realizando o teu sonho, então fica firme.” E eu me segurava.
14:20, hora de embarcar. Abraços finais. Lágrimas. Cortar o cordão umbilical é dose, eu já disse isso? Mais difícil ainda é se separar de quem se está acostumado a ver todos os dias. Renato, obrigada por tudo. Tenho saudades. Ganhei um presente do pessoal, que é lindo e muito querido. Obrigada a todos, e principalmente à Millu e à Lu que se deram ao trabalho de juntar o pessoal e juntar tudo. Amo vocês.
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Parte III – Voando com Portugueses
Vôo até São Paulo pela TAM foi bem tranqüilo, peguei a conexão para Lisboa pela TAP na hora. Bom, graças ao Kassick, que me convenceu a comprar aquela almofadinha para pescoço, eu não tive torcicolos. Em compensação minha bunda nunca esteve tão quadrada. Apesar do aperto, o vôo da TAP foi bem tranqüilo, assisti “What Happens in Vegas” e “My Sassy Girl“, filme de mulherzinha, mas eu estava no clima pra chorar, então, vamos enfiar o pé na jaca. A comida do vôo era boazinha, até. De janta tivemos frango a xadrez e arroz com cebolinha. E de sobremesa tinha tortinha de limão. Nada como a comidinha da mamãe, mas, opa, estamos cortando o cordão umbilical. Quando o avião pousou, os portugueses bateram palma. Alguns não todos, mas foi bem engraçado. Aliás, todo homem português tem monocelha? E mulheres têm bigode?
Chegando em Lisboa pelas 7h50min da manhã, tive que passar pela imigração. Minha conexão para Frankfurt saía às 8h40min, então a funcionária da TAP me alocou na fila prioritária. A fila prioritária de prioritária não tinha nada. Acho que fiquei 1 hora de pé e a fila empacada. Obviamente, se fue meu vôo e eu fiquei. Hora de remarcar a passagem. Cheguei no guichê, minhas costas doíam, minhas pernas doíam, eu estava podre, não tinha dormido direito desde sexta-feira de madrugada, e o vôo que me alocaram saía 12h20min. Eram recém 9h15min. Me fudi. Resolvi ligar para o Ricardo. Sem moedas. Troca dinheiro, pega moeda, lê as instruções do telefone. Bota moeda, empurra negocinho… Mas e cadê o ‘tchin’ que faz que a moeda tá caindo? Pqp, devolve minha moeda. Maior mico, ever. E lá ficou o telefone com minha monedinha de 1 euro trancada. Perdi o dinheiro.
Usei o cartão de crédito mesmo pra ligar pro Ricardo e pro Renato. Estou bem. Cansada, mas bem. Na sala de embarque, dormi sentada mesmo. Não podia fazer nada, não podia entrar nas lojas porque algo na minha bagagem de mão disparava os alarmes. Então é hora de sentar no banquinho e botar os pés para cima. E esperar.
Vôo da Lufthansa, saiu no horário, desceu no horário. Cheguei às… Nem lembro que horas. Estava tão grogue que nem me atinei de checar que horas eram. Hora de resgatar as malas… “Esteira 4″, disse o funcionário do aeroporto. E lá fui eu, com o carrinho, esperar as minhas benditas malas chegarem. Mas… Veja só! Elas não chegaram, como eu previ. Hora de ir no guichê da Lufthansa e pedir pelas minhas malas e rezar para que encontrassem. Obviamente não encontraram e me deram um kitzinho de sobrevivência. Que aliás, foi minha salvação.
Encontrei o Ric no saguão do aeroporto e fomos de T5 para Mannheim. Bem, o conceito é o mesmo, não? Mercedes com motorista. Pegamos a autobahn e fomos. Primeira vez numa autobahn com uma Mercedes C-180 Kompressor a gente nunca esquece. Os primeiros 200km/h também não. Ser ultrapassada por Porsches, também não.
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Parte IV – Chegada em Mannheim
Chegamos em Mannheim, liguei para o Zivi, que é uma espécie de zelador da casa de estudante. O nome do menino que me atendeu é Philip. Logo eu liguei, ele chegou e me entregou a chave do que vai ser o meu quarto para os próximos 4 meses. Estou no meu quarto, Raum 501, no prédio 5. É um quarto simplinho, porém bem espaçoso para uma pessoa só. O quarto, além da cama de solteiro, tem uma escrivaninha, um pequeno armário, uma estante, um criado-mudo e três cadeiras. Ah, e tem uma pia, também. Essa está com problemas e não pára de pingar.
São 3 prédios e cada prédio tem 6 andares + porão. Cada andar, com exceção do 6º que tem 6 dormitórios, tem 10 dormitórios, uma cozinha compartilhada e uma casinha e um box para cada 5 apartamentos. O box, ao invés de chuveirão, tem um chuveirinho. Meio esquisito, mas acho que dá para se acostumar. Se eu tomei banho bêbada nele, acho que não tem muito galho. Na frente do prédio tem um bar, mas ainda não fui lá. A calefação é muito boa, chegando em casa dá pra andar de camiseta de manga curta. Aos poucos vou conhecendo os moradores. Ontem de noite chegaram mais dois bolsistas do DAAD.
Bom, chegamos aqui, me instalei, larguei o que havia restado das minhas malas, e fomos atrás do hostel do Ric. Pegamos o Strassebahn, que é um trem que passa bem pertinho daqui e fomos tentar achar o hostel do Ricardo. Depois que o Ricardo fez check-in, fomos dar uma caminhada. Primeira constatação: quanta sexshop. Fomos na Weinachtsmarkt e tomamos um “quentão” (Gluwein) em canequinhas em formato de botinhas de natal. A feira estava bem movimentada. Já haviam me avisado de que os alemães levam bem a sério o espírito natalino. É o primeiro Natal que vou passar com frio. Esquisito.
Depois disso fomos no El Diablo comer nachos rancheros e tomar CERVEJA! \o/ Algumas cervejinhas depois e colocar as conversas em dia, retornei para casa e, depois de um looooooongo dia, tomei o primeiro banho (no chuveirinho) e dormi.
Acordei domingo às 7h30 da madrugada, morrendo de dor de cabeça (não sei se é do pescoço ou se é da cerveja. Vou acreditar que é da cerveja.) e me vesti para ir procurar algo para comer. Aqui o comércio todo fecha aos domingos, com exceção de uma que outra farmácia, as lojinhas da estação e lojinhas de conveniência de postos de gasolina. Fui na lojinha de conveniência que é bem pertinho daqui e comprei água mineral, pães fresquinhos e frios. Às vezes arrisco um alemão, principalmente pra pedir comida, mas ainda me sinto bem perdida. Não consigo entender o que as pessoas falam na rua. As pessoas aqui do Goethe falam em alemão comigo e eu tento responder, mas travo completamente. Vou ter que soltar esta trava.
Quando pensei em voltar a dormir (modo fuso-horário, eram 5h da madrugada para mim!), mas logo que eu consegui pegar no sono, o Ricardo chegou. Lemos um pouco o jornal, quer dizer, eu fiquei só olhando as figurinhas dos encartes (bugigaaaaaangas) e aí saímos para dar uma pernada por aí. Estava chuviscando, logo, por estar mais úmido, parecia mais frio do que normalmente. Chegamos na parada, e eu mal sentei e cochilei. Oh, maldito fuso! Entrei no trem e disse pro Ric: “se tu não te importas, vou dormir.” E ele ficou de me acordar assim que chegássemos no destino. Chegando lá, todas as lojas estavam fechadas e somente algumas coffee shops abertas. STARBUCKS! Minha primeira vez foi inesquecível. Tomei um Caramel Macchiato. Delicioso! Depois saímos para passear e conhecer alguns monumentos, como o Barokschloss, que é um castelo gigante muito bonito. Demos mais umas voltas e fomos pra estação comer alguma coisa. Comprei luvinhas (EÊÊÊÊ) e meias (ÊÊÊÊÊ!) e comemos um Fish & Chips com bastante molho Remoulade. Tomamos um café e retornamos para cá. Ric foi embora logo em seguida, mas ele deixou eu andar até a ponta com o mercedão.
Voltei pra casa, arrumei o que restavam das minhas coisas, arranjei uma internet provisória, comprei minha janta e logo o Ric me contatou por gTalk para avisar que acharam minhas malas. Fiquei tão feliz. Elas chegaram pelas 22h. Agora sim, posso chamar isso de minha casa. Minhas coisas.
Ah, sim, ganhei duas garrafas de uma cerveja com cachaça do Philip. Ainda não provei, mas ele diz que é bem “brasileiro”.
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Parte V – A saga continua
Bom, e cá estou, escrevendo. Hoje é segunda-feira, são 11h45min. Fui de manhã cedo até o Goethe Institut, fiz meu teste de nivelamento, recebi algumas instruções e agora devo ir ao mercado fazer umas compras.
Bis bald!
Viel spaß!
Bah, pior é que nem se tu tivesses meu número aqui em Lisboa ia adiantar… não saíste da área de embarque.

Pior ainda se eles não tem suporte para pendurá-lo em cima, para poderes tomar banho com as duas mãos livres… Passei mais de um ano sem suporte aqui… No final me acostumei a ter que usar uma das mãos sempre pra segurar o chuveirinho, mas como eu ficava feliz quando eu ia pra algum lugar que tivesse o tal suporte…
Não é do lado, mas já é mais perto que o Brasil 
Mas convenhamos que foi bobeação não teres pego meus contatos… vai que desse zebra de quase um dia.
Olha, te garanto que Lisboa é muito mais do que aquele aeroporto chato e minúsculo.
Gluwein é triiii bom ^.^ Tomei várias vezes quando fui passar o Natal em 2006. Só não fiquei com uma canequinha de recordação porque era mais tralha no meu minúsculo quarto na época. E os marcadinhos de Natal são muito fofos!
Os chuveirinhos são um terror!!! Coisas da europa
Anyway, bem-vinda! Qualquer coisa, “tamos aí”
Beijão!
Ué, tu não ia escrever 45 laudas de logbook por DIA? heh
Küsse (mais uma das 5 palavras que sei em alemão!)!